Posto isto, posso dizer-vos que não sofri muito. Antes da epidural, tive contracções, dolorosas, sim, mas ainda no limite do razoável. Mas depois de me darem a epidural, foi remédio santo, O que nunca me tinham dito, mas eu cedo percebi, é que devemos pedir reforço de dose assim que começarmos a sentir umas dorzinhas ligeiras. Foi o que fiz e não sofri praticamente nada em todo o trabalho de parto. Sempre que sentia algo... Chamava a enfermeira. Porque o reforço nunca é tão forte como a primeira dose, além disso, demora algum tempo a actuar (10m, no mínimo).
Antes de ter de fazer força, levei nova dose de epidural. Claro que senti os toques que me faziam, o rebentamento da bolsa, senti a puxarem-me lá dentro... Sentir, sente-se. Assemelha-se a uma certa pressão, e não é confortável. Mas posso dizer que dores dores, nada. Mesmo na hora do bebé sair, o que sentia era puxões, nada que não conseguisse aguentar.
Desta forma, pode dizer-se que tive um parto "santo". E se já não compreendia as mulheres que não querem tomar epidural por opção, agora ainda compreendo menos. É que aquilo tudo é coisa para doer horrores. Portanto se a ciência arranjou forma de tornar a coisa menos penosa, que assim seja.
Agora, há certos pormenores que ninguém vos conta. Não é tudo lindo e maravilhoso, nem pensar. Posso dizer-vos que vão ser algaliadas e isso não é agradável. Pois. Eu também pensei que nos deixassem ir à casa de banho. Não. É mesmo pelo tubinho. Vão ter vontade de fazer número 2. E vão fazê-lo. Onde? Numa aparadeira. E como não se conseguem mexer direito, uma enfermeira/auxiliar vai ajudar-vos a limpar. Eu sei. Eu também pensava que o limiar máximo da minha dignidade era ter várias pessoas a porem-me as mãos aqui em baixo. Mas não. Há sempre mais por onde podemos descer.
Confesso que a parte de não poder ir à casa de banho, para mim foi um choque.
Mas adiante.
Ora, depois de me coserem e de eu já ter o bebé ao pé de mim, siga de ir para o internamento de obstetrícia. Ainda meio drogada, sinto que começo a ter algumas dores. Peço que me dêem algo para as dores. Dizem que sim, já vão tratar do assunto. Em pouco tempo apresentam-me benuron. E eu penso "como???". Peço se não posso tomar algo mais forte. Dizem que vão ver se posso tomar brufen. Eu começo a ver a minha vida a andar para trás, e as dores a aumentarem de intensidade a um ritmo bem forte.
Começo a desesperar quando me dizem que é mesmo assim. Não posso tomar nada mais forte, vou ter de me contentar com aquilo.
Pois bem, fala-se muito nas dores do parto, mas se as pessoas forem devidamente sedadas (se assim o quiserem, claro), as dores que se passam são relativamente suportáveis. Agora, o pós parto... Para mim está a ser muito complicado. Naquele primeiro dia, quando o efeito da epidural passou, pensava que morria. Tenho tido muitas dores na zona dos pontos, e ninguém nunca me disse que doía assim. Outra coisa que me faz um bocadinho de confusão é a quantidade de sangue que se perde. Tenho perdido sangue de forma assustadora.
E pronto, algumas destas questões foram completa novidade para mim. Não fazia ideia que se sofria tanto no pós parto, nem que durante o trabalho de parto, a utilização do wc estava vedada.
A parte boa é que cada dia parece que dói menos um bocadinho.
Estou é ansiosa por perceber quando é que me vou conseguir sentar...
