quinta-feira, 9 de abril de 2015

Na blogosfera, como no mundo

Há pessoas que não percebem a diferença entre discriminação tácita e ilegalidade.
Perguntar a alguém, numa entrevista de emprego, se deseja ter filhos num futuro próximo é ilegal. Ponto.
Agora, discriminação? O que é que se entende por discriminação? Eu entrei na minha empresa actual, em prejuízo de outras pessoas, porque a minha empresa só contrata pessoas oriundas de faculdades de topo. Isso é discriminação? Ou é um requisito pré estabelecido, de que todos os intervenientes no mercado têm conhecimento à partida?
Entretanto, para além de me chocar o total desconhecimento da lei, bem como a ligeireza com que se fala de uma coisa destas, chocam-me os comentários, quer do blogger em questão, quer dos que por lá comentam, inclusivamente mulheres, afirmando que o "feminismo está na moda", que entre um homem solteiro ou uma mulher com filhos, preferem contratar o homem solteiro, entre outras barbaridades que tais.
E novamente os micro machismos, a estupidez que abunda na cabeça das pessoas é sempre motivo para me espantar, tal como o facto de esta gente ainda ter público.
Quando é que esta gente vai acordar para a realidade, e perceber que sem famílias, não existe nenhuma sociedade sustentável? Empresariozinhos da merda, que não contratam mulheres em idade fértil, que preferem estagnar a economia, que não entendem que a médio prazo não existirá quem lhes pague as reformas, porque andaram muito ocupados a despedir mulheres grávidas, ou a intimidar as funcionárias, para que estas não tivessem filhos.
Cambada de gente ignorante que não sabe somar 2 mais 2.

Juro-vos que subo paredes com estas merdas. Tocam-me especialmente porque felizmente estou a ter uma experiência oposta à que agora é regra em Portugal. Depois esta gente vem explicar-se com a crise, mas a crise não pode ser o bode expiatório de tudo. A crise é de valores e de mentalidades. Por outro lado, se então existe excesso de oferta de mão-de-obra, como é o caso, não será portanto complicado conseguir encontrar uma pessoa para substituir a grávida que vai de licença. Mas não dá jeito ver as coisas por esse prisma.

Recordo a reacção de um empresariozinho desses de caca, com quem tive a infelicidade de conviver há pouco tempo, que a propósito da minha gravidez, me perguntou se a minha empresa me iria mandar embora. Confusa e chocada com a pergunta, disse prontamente que não. Fulaninho responde-me que tinha muita sorte, pois ele manda (e agora vou citar) "todas as prenhas para o desemprego". Que charme.
Mas o pior é que este fulano não é excepção. Como este, infelizmente, há muitos.
Cambada de gente burra.

7 comentários:

Timtim Tim disse...

Pois...chegamos ao cúmulo de haver empresas que pagam às mulheres para congelarem óvulos e esperma dos maridos para serem pais mais tarde!!! E há quem ache isto normal!!!!

Karina sem acento disse...

Nessas alturas só me dá vontade de perguntar se as mães desses homenzinhos não engravidaram. É que dá a entender que não, que chocaram ovos e eles saíram desses ovos!

Anónimo disse...

Eu sou uma dessas prenhas...

Pi Maria disse...

Não tinha conhecimento desta polémica, mas mal li o teu texto soube logo quem era o blogger em questão, não é muito difícil chegar lá.
Li os textos (há 2 textos dele a falar disso) e os comentários e vou-te dizer: se o dito cujo estivesse comigo levava uma lambada que nem sabia de que terra era. É preciso ter vergonha na cara para defender o que ele defende, ainda por cima a ligeireza com que se fala no assunto. Vê-se logo que ele nunca leu a constituição (art. 13º) ou leu alguma coisa relacionada com direito do trabalho: as perguntas sobre a gravidez (entre outras) numa entrevista de emprego são PROIBIDAS, ponto final. Não vale a pena andar a defender que sim, que faz sentido perguntar isso quando a lei proíbe, o que significa que o legislador já tratou dessa questão, que esse assunto já foi discutido e entendeu-se ser da esfera privada.
Enfim, estou parva com tanta ignorância no mundo. Apetece-me desatar aos estalos àquela gente, mas vá vou-me acalmar xD

cinquentinha disse...

Esse comentário que eles fez é mesmo NOJENTOOO!

Teresa disse...

Dá vontade de lhe dizer que, foi pena a mãe dele quando ficou prenha não o ter mandado para o Galheiro!!!

Cláudia Almeida disse...

Bem, está tudo do avesso. A gravidez devia ser vista com respeito pela sociedade. Não me refiro apenas ao trabalho, porque isso é reflexo da sociedade em geral. Estamos todos tão brutalizados, tão mesquinhos que até se me arrepiam os cabelos. Tenho pena que estejamos a tornar-nos nuns pequenos monstros, que nem a gravidez consigamos respeitar. Os nossos pais educaram-nos para isso? Ou são os sinais de que o mundo está, realmente, um lugar mais feio? De qualquer das formas, embora não te conheça, espero que tudo corra pelo melhor e que, cada mulher grávida, sirva também para mostrar a esta sociedade tão centrada no seu próprio umbigo, que ainda vale a pena acreditar.