segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Nem sei que título dar a isto. Desabafo, pena. Algo desse género

Por motivos profissionais, na última semana tive de me deslocar a Lousada. Não ao centro, mas à zona limítrofe, com vários descampados.
Ali, mesmo à face da estrada, e em plena luz do dia, não consegui contar quantas mulheres se prostituíam. E havia carros a parar, carros com pessoas lá dentro, na berma, o "serviço" estava a ser feito mesmo ali.
Nesse momento tudo o que senti foi pena. Pena daquelas mulheres, a quem a vida levou para este tipo de caminhos degradantes, e nem consegui imaginar o sofrimento que deve ser. Até que uma colega de trabalho, que, para contextualizar, conduz um BMW série 5 oferecido pelos pais e joga golf ao fim-de-semana, resolve dizer que a culpa daquela situação é inteiramente daquelas mulheres, que não procuram emprego noutras áreas por não quererem, porque, segundo ela, emprego é o que não falta, as pessoas é que são preguiçosas e não querem trabalhar. Ora... O que dizer, não é?
Expliquei-lhe que nem sempre as pessoas têm as mesmas oportunidades na vida, e muitas vezes pensam que aquela é a única saída, não conseguem ver mais nenhuma "luz ao fundo do túnel", e não sabem como sair daquela vida e círculo vicioso.
Ao que ela me diz que não, que elas é que são porcas porque não querem trabalhar e portanto fazem aquilo...
Disse-lhe que nem toda a gente tem possibilidades para jogar golf ao fim-de-semana, e oportunidades para tal.

Depois fiquei na dúvida sobre quem tinha eu mais pena. Se das mulheres que ali se prostituíam, ou da minha colega, que acha que nesta vida é tudo um mar de facilidades, e não consegue enxergar na verdade a sorte e o privilégio que tem.

1 comentário:

Anónimo disse...

Curioso!... nem um só comentário!?... Preconceitos?