quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Perdi-te.

Eu cheguei a pensar que seríamos amigas para sempre. Que estarias sempre para me apoiar, pois eu certamente iria fazê-lo contigo. Saíamos tantas vezes, várias delas entre casais, passámos férias juntos, foram muitas as gargalhadas.
Até que tive o David. E aí encontramo-nos menos vezes. Cada vez menos. Nós convidámos, mas vocês tinham outros planos.
Até que deixámos de vos convidar. Deixámos de ligar ou enviar mensagem.
Afinal não vão poder mesmo. Claro que não disseram nada quando estavam disponíveis, pois a verdade é que já não estão disponíveis.
E por isso perdi-te. E eu gostava tanto de ti... Perdi-te.

Creio que o que aconteceu comigo acontece com muitas pessoas após serem pais. Perdemos umas pessoas, ganhamos outras. Eu ganhei e perdi algumas.
E cada vez mais sei que quando se quer, arranja-se tempo. Se não for hoje, será amanhã.
Dizem-me que gostam muito de mim. Do David. De todos nós.
Mas para mim a amizade é como uma planta, que precisa de sol e água em conta peso e medida. Se não for cultivada, morrerá. E que amigos posso eu ter, que nem sequer sabem do meu filho há meses? Será que se preocupam assim tanto? Provavelmente não.
Certamente outras pessoas conseguem agora aguentar o ritmo de sair à noite, fazer programas divertidos, ir passar o ano a uma qualquer cidade exótica.
Por isso... Perdi-te.

1 comentário:

O Biquíni Dourado disse...

=( também estou nessa situação, apesar de não existirem bebés de parte a parte. Só estilos de vida diferentes e, por vezes, é quanto baste... Não sei bem o que dizer. No meu caso, sei que não há volta a dar. No teu, se é uma questão de filhos, acho que podes acreditar haver esperança! =D

Um beijinho!

http://obiquinidourado.blogspot.pt/