terça-feira, 19 de agosto de 2014

Mais uma vez constato como as pessoas são solícitas quando estamos na mó de cima, mas o mesmo não acontece quando estamos em baixo

Quando estamos bem, é tudo sorrisos, convites para copos, sms's regulares para saber como estamos, se queremos fazer alguma coisa, gente a oferecer-se para ir a nossa casa, enfim, todo um conjunto de solicitações sociais. Toda a gente jura que está ali para o que der e vier. Eu ia acenando e tentando perceber quais seriam os primeiros a dar a fuga, quando o momento se proporcionasse. E assim foi. Nada que me espantasse, contudo. Mas é sempre duro precisarmos de uma ajuda de alguém específico, e essa pessoa não nos estender a mão numa coisa tão simples como entregar um curriculum. Não que eu não estivesse à espera, mas tenho como máxima que perguntar não custa, pois o não é garantido.

Há uns anos atrás, no primeiro casamento da minha tia, ela viva sempre rodeada de gente. Eu costumava chamar-lhes os satélites, pois estavam sempre enfiados em casa dela, ainda por cima na altura, o marido da minha tia e ela própria eram pessoas com algumas posses. Todos os fins-de-semana lá iam os satélites. Quando o seu casamento chegou ao fim, ficaram 2 dessas amigas, e sobretudo eu, que até dormia com ela, e deixava de fazer programas com os meus amigos para estar com ela.
Agora, a minha tia, por via de questões profissionais, mora num local muito procurado em tempo de férias, é uma localidade tipicamente balnear. Pois que voltaram novamente os satélites a circular em redor dela e do novo companheiro, oferecendo-se para ficar em casa dela agora nos tempos de férias, e ela sem dizer que não, recebendo todos, não olhando a gastos para receber bem as pessoas.
O que posso concluir? É que a minha tia tem um melhor coração que eu.
Porque eu, à medida que o tempo vai avançando, vou riscando da minha vida os satélites, assim que me apercebo que não passam disso mesmo.

4 comentários:

Peppy Miller disse...

É uma tristeza quando existem pessoas à nossa volta única e simplesmente interesseiras ;/

barcelence disse...

Podia-se dizer à tua tia para ganhar força no estômago e mandar "borda fora" os interesseiros. Mas o que me parece, é que ela realmente só se sente bem rodeada de gente. Deixa estar, o teu papel está feito.

Timtim Tim disse...

Eu tenho exactamente a experiência contrária. Mas deve ser mais um dos meus desvios.

Portuguesinha disse...

Será reboscado partilhar que cheguei à conclusão que a vida social só existe por interesses?

Se eu não tiver NADA que faça falta a outra pessoa, ninguém se chega perto. Deixem só descobrir algo que as fascine, e querem grudar. E há quem tenha percebido isso muito cedo, criando uma "persona" social. E daí se dizer que existe tanta gente com "duas caras". São muito apelativas socialmente, fazem amigos e conhecidos com facilidade, dão-se bem com praticamente todos os colegas mas depois no privado vêm a vida de uma forma bem mais egoísta do que dão a entender.