sábado, 17 de agosto de 2013

As coisas que a vida nos ensina- fingir de burro

Considero-me uma pessoa inteligente e nunca gostei de esconder isso. Quando me perguntavam coisas em relação às quais eu sabia a resposta, respondia naturalmente e explicava o meu raciocínio. Passei a ser rotulada de arrogante, pois tinha sempre opinião, e tinha "a mania" que sabia. Quando efectivamente só falo do que sei. Mas não, não eram eles que se armavam em chicos espertos, era eu que era a arrogante.
A inteligência é uma coisa que pode causar incómodo a outros. Percebi isso algo tarde. Claro que ainda caio na tentação de falar sobre o que sei quando me é questionado, de expressar o meu ponto de vista, mas tenho vindo a reparar cada vez mais que não vale a pena. Pelo menos não com as pessoas erradas. Por isso de vez em quando faço-me propositadamente de burra. Custa-me, admito. Não vou mentir e dizer que acho muito divertido, porque não acho. Sinto-me algo "insultada" e sinto que me menosprezo. Mas a vida ensinou-me que em algumas ocasiões, é a melhor posição para se ter. E não basta sermos inteligentes do ponto de vista conceptual, temos de ter aquilo a que se chama de inteligência emocional- e aí já acho que por vezes sou realmente burra, inocente, crédula e optimista de mais, e acredito muitas vezes quando não deveria, e não vejo segundas intenções em actos que deveria ver. Enfim, não se pode ter tudo.
Mas a questão é que eu acho que não deveríamos obrigar-nos a agir como burrinhos. Não percebo que sociedade e valores são estes, onde muitas pessoas "escondem" o que são ou o que sabem, para não terem chatices e não serem rotuladas (já neste blog falei de rótulos).
Dou-vos um exemplo muito prático: Eu tenho um determinado hobby há cerca de 15 anos. É um tema onde me sinto à vontade, já conheço algumas coisas e por vezes ajudo outras pessoas em fóruns da especialidade. Claro que ainda tenho muito a aprender, mas não diria ser uma principiante.
Ora, uma pessoa das nossas relações, decidiu que queria iniciar-se em tal hobby. Pediu a minha opinião e eu inocentemente dei, e expliquei o que a pessoa tinha de fazer para começar. A pessoa foi torcendo o nariz em ar de descrédito, que de certeza não era preciso tanta coisa. Eu lá continuei e disse para a pessoa me ligar se tivesse alguma dúvida. Pessoa fez basicamente o contrário do que eu aconselhei. E adivinhem o resultado... Pois, correu mal. Pessoa desistiu do hobby. Gastou dinheiro que não rentabilizou. E depois perguntou-me porque é que tinha corrido mal. Atirei que se calhar, talvez seja uma hipótese, o facto de não ter seguido nada do que eu disse, e não ter lido nada sobre o assunto. Pessoa disse que não, que ela teve foi azar, e que não era nada como eu estava a dizer. É caso para dizer "e o burro sou eu?". Sou. Neste caso sou. Porque não me fiz de burrinha e forneci conhecimentos que a minha experiência de 15 anos no assunto me deram. Penso se deveria ter agido como se não estivesse a par. Depois aí provavelmente era acusada de não querer ajudar. Mas fui burra, porque me importei. Deveria ter falado do básico, sem me importar muito.
Por isso vos digo, às vezes, para o nosso bem, o melhor é mesmo fingirmo-nos de burrinhos.

2 comentários:

Pt disse...

Não creio. Se entendes de um assunto e te dispoes a ajudar, a outra pessoa é que tem de ter o discernimento de saber escutar. O que ela faz com a informação depois é com ela. Não tens é de te prejudicar como ser humano para não apanhar decepções do género.

Eu não me acho inteligente mas sabia de muitas coisas e sempre escondi isso. Por vezes passava por arrogante à mesma, por me manter quieta e silenciosa. Não recomendo essa via. Acabas por ficar burro de verdade. E é horrível, não vás por aí.

Parece-me é que a pessoa não estava realmente com vontade e empenhada em se dedicar a esse hobbie. Queria uma coisa mais , para ver como se dava. Talvez corre-se bem. Não criou prazer dele porque hobbies têm de vir de um sentimento de dentro, raramente podem ser fabricados com facilidade, apenas copiando o que funciona para os outros.

Unknown disse...

O grande problema é que na vida somos sempre rotulados de algo... como se tivessemos de viver em função das opiniões alheias! baah :/

beijinho*