quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A discrição é sempre o melhor remédio

Sempre me considerei uma pessoa ingénua e inocente. Mas claro que a experiência de trabalho nos dá estofo para deixarmos de ser tanto assim. Não obstante, considero que tenho ainda muito caminho a percorrer. Quando entrei na empresa em que estou, falava tranquilamente sobre alguns aspectos da minha vida pessoal, que considerava inócuos e sem muita importância. Coisas como o ginásio que frequentava, hobbies e assuntos do género.
Até que me apercebi que algumas pessoas usavam essas informações transmitidas de forma inocente, para ganharem vantagem em determinados assuntos, sabendo coisas que à partida não lhes tinha contado. E apercebi-me também, com o passar dos anos, que o grau de confiança que podemos permitir varia muito. E percebo igualmente que algumas pessoas lutam pela discrição acima de tudo. Há dias fiz uma pergunta inocente a uma colega que se vai casar. Respondeu-me que não tinha nada a ver com isso. Era algo sem importância nenhuma, muito simples. Só quis ser simpática e interessar-me. Mas entendo cada vez mais que o "interesse" deve ser apenas, para com a maior parte das pessoas, de fachada, perguntar pelo mais trivial possível e pronto, terminar logo ali. E acho que um dos meus defeitos é esse. Interesso-me genuinamente pelas pessoas, preocupo-me, e por vezes "esqueço-me" que são pessoas que não me dizem nada e tenho "sentimentos" por elas. Gosto de as ver bem, saber que estão bem. E está errado. Para a maior parte das pessoas das empresas, é falar muito muito pouco sobre a nossa vida, e perguntar ainda menos. Mesmo que seja com a melhor e a mais inocente das intenções, como foi o meu caso.
Tenho de me estar constantemente a lembrar disso, senão as minhas emoções entram no caminho. E não o posso permitir. Não com a larga maioria das pessoas.
Por isso tenho lutado para sobreviver melhor nesta selva, que de vez em quando ainda me apanha desprevenida, mas já não me morde como antigamente. Tenho aprendido que a discrição é mesmo o melhor remédio.

1 comentário:

GATA disse...

Eu considero-me uma parva que (sobre)vive num mundo de esperto, mas desde cedo aprendi uma coisa: trabalho é trabalho! Eu não tenho amigos no trabalho, eu tenho colegas - uns gosto, outros (como a colega de gabinete) detesto! Não gosto de misturas, porque gosto muito de manter os meus dois EU separados.