domingo, 2 de junho de 2013

Os alunos de 20

A visão escreve aqui sobre 4 exemplos de alunos (curiosamente todas alunas) de 20 valores.
Eu era aluna de 20 no secundário. Tirei a melhor nota da escola num dos exames e obtinha todos os anos bolsas de mérito. Mas não me revejo minimamente nos discursos das 4 alunas. Sinceramente eu não era metódica, disciplinada ou trabalhadora. Mas todas dizem uma coisa importante, e é aí que considero que se obtêm boas notas: atenção nas aulas. Mesmo já no tempo dos telemóveis, eu procurava estar atenta às aulas. Precisamente porque sabia que quando chegasse a casa, ia fazer tudo menos estudar. E a meu ver não há maior incentivo do que esse. Saber que quando chegasse podia fazer o que quisesse, ir ao cinema, à praia, namorar... Bem, para mim era o que bastava para me prender nas aulas com níveis de concentração aceitáveis.
Nem todos somos iguais. Por isso é que não gosto destas entrevistas com "fórmulas" para se ser bom aluno. Eu não pegava nos livros em casa e era boa aluna. Conheço miúdos que se matavam literalmente a estudar e não eram bons alunos. Os métodos não são iguais para todos. A mim, movia-me a motivação de só precisar de estar atenta aquelas horas e depois fazer o que me apetecesse.
Para algumas pessoas, isso não é suficiente, têm de estudar um pouco mais em casa.
Outras existem que terão de estudar ainda mais. Mas considero que igualmente importante é crescer num ambiente rico culturalmente, estimulante, onde se possa dar largas à criatividade e imaginação. Lembro-me por exemplo que li os Maias no 10.º ano, quando na minha altura só se dava no 11.º. Li, porque me apetecia. Tal como não me apeteceu ler a Aparição e não me fez falta nenhuma. Tal como li tantos outros livros que os miúdos marrões nunca tinham ouvido falar.
Não defendo a total falta de método, embora pelas minhas palavras possa parecer isso. Defendo exactamente o contrário! Que cada um deve descobrir o seu método, a sua forma de funcionar.
Por mais estranho que pareça, mesmo na faculdade, as cadeiras a que tirei melhor nota, foram precisamente as cadeiras para as quais praticamente não estudei. Estava atenta nas aulas, e depois... Parecia que a matéria entrava naturalmente. Cada pessoa tem de perceber o seu método. Eu não gostava de cadeiras de decoranço porque nunca fui boa a decorar fosse o que fosse.
Sempre fui boa a perceber coisas e a forma como funcionavam. Tal como percebi desde cedo que há vida para além dos livros escolares. Tal como percebi desde cedo o tipo de matéria de que gostava, e que não gostava.
E isso é o que eu quero transmitir aos meus futuros rebentos. Não adianta ser marrão se nunca soubermos aproveitar a vida da melhor forma e descobrir o que nos faz brilhar e entusiasmar a mente.

3 comentários:

Karina sem acento disse...

Eu também fui aluna de 20's na secundária e, tal como tu, o meu único método era estar atenta às aulas. Chegava a casa e fazia os trabalhos de casa. Nunca fui muito de marrar e cheguei a ter 20's e 19's em exames nacionais de certas disciplinas sem ter pegado praticamente nos livros. Mas havia duas coisas que me ajudavam muito: a primeira era o facto de eu gostar bastante da área que escolhi e de praticamente todas as suas disciplinas o que fazia com que eu estivesse atenta às aulas com gosto e não com aquela sensação de "tem de ser!". A segunda: eu tenho uma memória quase fotográfica. Agora já não tanto como antes, mas conseguia ler uma, duas vezes no máximo e retinha toda a informação. Mas de resto, nunca tive nenhum método ou segredo para ter sido boa aluna.

Jovem $0nhador@ disse...

Concordo em tudo com este texto, eu sempre fui metódica na escola, mas também estava atenta às aulas e tirava dúvidas isso ajudava muito!

Portuguesinha disse...

Concordo. Eu também era atenta nas aulas. Gosto de compreender as coisas e de debater ideias. Em casa também estudava mas mais para solidificar as ideias. Toda a vez que me saí melhor não foi preciso estudar. Mas existiam aquelas disciplinas de memorização de que falas - e isso também não me era coisa muito apreciada.

cada qual tem de descobrir o seu caminho. Como alguém que foi educada a estudar dia e noite com sobrecarga de trabalhos, não creio que isso a torne um aluno melhor.

O resto também é importante. Pessoalmente não aprecio a metedologia de avaliação do ensino - com base nos testes e exames em que conta essa nota e pronto. Vi muitos passarem tendo apenas copiado a matéria nesse momento. No secundário foi difícil estar atenta nas aulas porque a maioria dos profs. nem davam matéria. Uma chegava e não lhe apetecia, ficava a falar dela mesma. Outra deixava o pessoal portar-se pior que crianças na creche. Era coisas a voar pelo ar da sala, bolinhas de papel com cuspo por todo o lado. Parecia uma outra dimensão, onde o objectivo da escola andava perdido entre "rebeldes sem causa" e professores sem pulso.