O Marlon era um jovem estudante finalista de desporto, que tinha a vida toda pela frente até ser brutalmente assassinado.
Um acto de cobardia extrema e desrespeito pelo ser humano.
Não podia estar mais indignada com este crime, que aconteceu na minha cidade, na minha academia, onde o espírito de diversão, convívio e amizade sempre reinou. É minha opinião que as medidas de segurança destes recintos necessitam de ser repensadas.
Se a queima deveria ser ou não anulada depois deste trágico acontecimento? Não sei. Não consigo mesmo formular uma opinião. Há vários argumentos contra e outros a favor.
O que eu sei, é que toda uma comunidade se encontra de luto, e o espírito vivido é este ano, muito diferente dos anteriores. Fazem-se minutos de silêncio. Os artistas dedicam músicas e versos.
A consternação é geral.
Entretanto, com tudo isto, vejo hoje melhor que a queima das fitas já não me pertence. O tempo passou e não volta para mim. Já me sinto uma estranha naquele recinto, olho em meu redor e parecem-se todos tão mais novos... Mas depois raciocino e verifico que não, que eles são de facto novos mas já têm idade para estar ali. Eu é que já passei os anos de faculdade. Lembro-me do entusiasmo da semana académica, das noitadas, dos copos. Fiz tudo o que tinha direito. Sem exageros, claro está, que não sou pessoa dada à degradação individual.
Mas vejo-me agora numa fase da vida totalmente diferente. Já não quero copos. Chego à meia noite cheia de sono. Penso em casamento, em temas de decoração, em filhos. Sou diferente e isso nota-se.
Não quer isto dizer que nunca mais vá à queima. Nada disso. Acho que poderei ir, sempre que o cartaz assim o justifique. Mas nunca mais será igual.
Acabei o curso há 4 anos, mas até há 2 anos atrás, a queima das fitas continuava a fazer sentido para mim, nos mesmos moldes. No ano passado, já foi um pouco diferente.
Este ano, foi definitivamente o ano em que me apercebi que a única coisa que mudou, fui eu.
2 comentários:
Eu acho que a "festa" devia ter sido interrompida de imediato. Confesso que me choca um bocadinho que, depois do que aconteceu, continue.
Quanto ao facto de nos sentirmos deslocados em sítios que, há uns anos, ns "pertenciam", percebo-te tão bem! A vida muda mesmo. E, com ela, as nossas vontades e interesses.
Concordo contigo... eu acho que adiar ou terminar com a queima não resolvia nada, resolve sim colocarem mais segurança por lá!
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