quinta-feira, 23 de maio de 2013

Hoje, numa rua movimentada perto de si

Ela ajeitava o cabelo, que parecia estar perfeito mas ainda não o suficiente. Ele olhava-a pelo retrovisor.
Ela punha o batom.
Os carros continuavam parados. Não havia forma de o trânsito andar.
Ela pôs então os óculos de sol. A rapariga do Destak continuava a distribuir jornais e quase todos os carros iam aceitando. A polícia, a cerca de 300 metros impunha respeito pelo que não atendi o meu telemóvel que entretanto tocava.
Continuei a olhar para ela. Era gira de facto. Devia estar nos seus 30 e poucos. Ele também. Até que algo de inesperado aconteceu. Ele saiu do carro e assim sem mais nem menos, bateu no vidro dela. Não ouvi o que ele disse, mas pareceu-me que lhe pediu o número de telemóvel, porque ela digitou qualquer coisa no telemóvel que ele lhe passou para a mão. Os carros começavam a andar, mas ninguém apitou. Todos esperámos que ele entrasse e seguimos com as nossas vidas.
Mas quem, como eu assistiu, certamente seguiu com um sorriso nos lábios.
Eu pelo menos sei que sim.