quarta-feira, 29 de maio de 2013

Das vidas adiadas

Em 2010 deixei um emprego que adorava porque a economia estava em recessão e por isso não me podiam passar a efectiva.
Hoje, em 2013, não vou ser promovida porque a economia está em recessão, o negócio está a encolher e portanto as promoções estão congeladas. Felizmente, a situação hoje é muito diferente da que eu enfrentava em 2010 quando fiquei desempregada. Mas mais uma vez as coisas não correm minimamente como eu tinha planeado.
Eu gostaria de ser promovida e passar pelo menos um ano nessa posição, e posteriormente ter filhos. Assim sendo, vou ter de pelo menos esperar mais um ano por uma possível promoção que poderá nem acontecer.
E com isto, provavelmente adiarei novamente os meus planos. Que nada são mais do que isso mesmo, planos. Porque eu sou da opinião de que sim, devemos ter algo delineado para nós, mas também temos de nos conseguir adaptar ao que a vida nos dá. Por isso sim, são só planos.
E depois ponho-me a pensar na quantidade de planos que são adiados em virtude não de não promoções, mas do desemprego. Vidas adiadas. Adia-se a saída de casa dos pais. Adiam-se casamentos. Adiam-se filhos. Adia-se viver. Porque agora não dá, temos de esperar, temos de mudar prioridades.
E chateia-me perceber no nosso país não se pode fazer planos. Porque corremos o sério risco de não cumprir nada do que foi planeado. E passamos a vida a adiar a nossa própria vida.

7 comentários:

Karina sem acento disse...

Nós saímos do país exactamente por isso. Não que esteja nos nossos planos ter filhos (pelo menos num futuro próximo) mas temos outros planos difíceis de concretizar com o estado actual de Portugal. Pelo menos, não vamos um dia mais tarde olhar para trás e pensar "e se..." *

Orquídea disse...

"Adia-se a saída de casa dos pais. Adiam-se casamentos. Adiam-se filhos. Adia-se viver." concordo mesmo com isso :( vejo-me nessa situação :(

Peppy Miller disse...

é um postpone contínuo

Morango Azul disse...

Infelizmente tens toda a razão.
Eu decidi o ano passado que não ia esperar mais 7 anos para ver algum avanço na "carreira". Assim, desisti de me realizar profissionalmente e optei por investir na família e ter um filho.
Neste país quem investe na carreira não vai a lado nenhum, infelizmente...só se for homem...porque mulher não.

cinquentinha disse...

Bem verdade!

GATA disse...

Eu aprendi a não fazer planos. Sim, fiz planos e a vida não correu como eu planeei... Então agora deixo a vida correr, sem planos, apenas uma dia depois de outro dia.

Jovem $0nhador@ disse...

Como eu me revejo neste texto...devido ao desemprego tão cedo não saio de casa dos meus pais que tanto merecem descanso de mim...