terça-feira, 16 de abril de 2013

Dos beijos

Há beijos que não queremos dar. Damos, porque somos obrigados.
Beijos de cortesia. Beijos em que fica mal afastarmos a cara.
Lembro-me de a minha mãe, sendo eu bem pequena, me obrigar a dar um beijo a toda a gente. Tivesse ou não mau aspecto, fosse ou não pessoa de interesse. A minha mãe obrigava-me a cumprimentar toda a gente com um beijo. E para mim custava-me muito.
Tanto beijo contrariada dei, que talvez por isso durante muito tempo detestei esse acto. Só dei o meu primeiro beijo na boca aos 15 anos.
Só dei o meu primeiro beijo apaixonado aos 16.
Não era nada beijoqueira. Não entendia a necessidade das pessoas andarem sempre aos beijos.
Hoje, sempre que posso, fujo ao beijo institucional. Tento cumprimentar na cara quem eu quero cumprimentar. Fujo, sempre que possível, dos beijos desagradáveis com um aperto de mão.
Só o facto de pensar em aproximar a minha boca da cara de algumas pessoas, e a boca delas à minha cara, me causa náuseas. Somos um povo beijoqueiro demais, às vezes.
Acho que não vou obrigar os meus filhos a cumprimentarem todos os estranhos com um beijo, como a minha mãe me obrigava. Acho que só vou fazê-lo no caso de familiares e amigos íntimos.
Pode ser que eles não se tornem avessos aos beijos, como eu.

PS- Com excepção do Bomboco, claro está!

4 comentários:

cinquentinha disse...

Concordo contigo, acho que às vezes até passo por mal educada, por não cumprimentar toda a gente com dois beijinhos na cara, digo bom dia ou boa tarde e chega!

CM disse...

Percebo tão bem!! Não gosto nada de cumprimentar com dois beijos as pessoas que não conheço...sempre fui assim. É coisa que já não tem remédio.

GATA disse...

Eu sou mais de abraços que de beijos. Mas, 'travail oblige', dou alguns a nível profissional, quiçá mais que a nível pessoal...

Jovem $0nhador@ disse...

Também não sou muito de beijos e tento sempre só encostar a cara e não a boca em gente estranha...