quinta-feira, 21 de março de 2013

O estado da nutrição no nosso país

Que a nutrição não é prioridade no nosso país, isso já eu sei há muito tempo.
Mas não sabia o estado deplorável em que se encontrava.
Ontem, fui a uma consulta e exames de rotina ao centro de saúde da minha residência. Para além de ter saído do trabalho e ter ficado à espera que me atendessem, 2h depois da hora inicial da consulta, sendo que esse tempo perdido tive de o compensar trabalhando à noite, tive de levar com o sempre desagradável cheiro que se apresenta em tais locais.
Adiante.
Já na consulta, a média marcou-me exames regulares (para além do que os que eu tinha lá ido fazer), sendo que eu lhe manifestei o meu interesse em ser seguida por uma nutricionista, visto que considero que tenho mais 10kg do que aqueles que eu pretendia, e apesar dos meus esforços, sinto que se for ajudada de forma profissional, serei mais bem sucedida.
Ao que a médica de família me respondeu com pesar, que tal era impossível.
"Porquê?" Perguntei. Ora, ao que parece, apenas as situações limite são alvo de consultas de nutrição através do SNS. O que são situações limite?- perguntei.
Situações limite são crianças obesas, pessoas com obesidade extrema, diabéticos e doentes cardíacos. Ora, como eu não faço parte de nenhum dos grupos de risco, não terei qualquer direito a pedir consulta. Ou melhor, se fizer questão de marcar a mesma, talvez tenha sorte lá para 2050.
Para além de constatar que neste país só os muito doentes ou os muito ricos recebem tratamentos de saúde adequados, constato que a equidade é para o tecto. Porque não há profissionais. Porque não há milagres.
A médica, que me disse que aparentemente está tudo bem comigo, o que consistia com as minhas últimas análises, aconselhou-me a, caso queira mesmo perder os tais 10kg, consultar um nutricionista por minha conta, no privado.
Ao que lhe respondi com toda a sinceridade do mundo, e disse-lhe que não tinha possibilidades financeiras. É tão simples quanto isso, não tenho mesmo. Já me aconselharam mil e uma boas médicas de nutrição, nutricionistas, especialistas, etc. Mas para isso paga-se e eu não tenho dinheiro.
Nem sequer consigo poupar para o casamento, quanto mais para dar dinheiro a gente que me quer por a comer saladas.
E por isso é assim. Se realmente quiser perder os quilos que me aborrecem, tem de ser por minha conta.
Como sempre.

3 comentários:

Karina sem acento disse...

Bem, nem vou falar sobre o estado da nação, porque é realmente uma tristeza,mas há dois anos decidi que também queria perder peso mas não tinha disponibilidade financeira para gastar rios de dinheiro num nutricionista. No entanto, andei a pesquisar e descobri que há algumas lojas ervanárias que têm nutricionista. Lá vi qual era a mais perto de casa que tinha e marquei uma consulta para ver como era. Gostei, andei lá 6 meses - pagava 10€ por consulta!, se bem que a primeira vez deixei lá um pouco mais porque acabei por comprar uns complementos para compensar o facto de eu não comer carne e o que eu realmente devia fazer era uma dieta proteica. E no fim, perdi 12 Kgs. O melhor de tudo, é que obrigou-me a re-aducar a nível de horários, que era o meu grande problema. Sempre comi tudo muito saudável - lá uma vez por outra faço avarias -, mas era capaz de não tomar pequeno-almoço, ficar horas e horas sem comer, etc. E hoje em dia já não faço isso.

Vê isso, pode ser uma alternativa para ti. Beijinhos*

GATA disse...

Infelizmente, é a realidade. Não tarda estamos como o Brasil, pré Lula: só há muito ricos e muito pobres!

Mia disse...

Infelizmente, nutricionistas, dermatologistas e dentistas são especialidades consideradas supérfluas neste país. Há um site de uma nutricionistas que gosto muito, tem boas dicas: http://anitricionista.blogs.sapo.pt/

Espreita, pode ser que ajude.