Uma pessoa trabalha desde os 16 anos para ter uma vida melhor do que a dos seus antecessores, paga a sua faculdade pública, faz trinta por uma linha para tentar frequentar um mestrado, trabalha que se farta todo o dia, chega a casa, faz jantar, arruma, ainda tem de trabalhar mais um bocadinho, tenta passar algum tempo com o seu companheiro porque afinal a relação necessita de atenção e carinho todos os dias e não apenas quando o rei faz anos.
Paga casa em sítio melhor do que eventualmente imaginaria à primeira, paga carro, tenta nunca ficar a dever nada a ninguém, que a comida nunca falte, mais um esforço e troca de carro porque afinal o outro já era de 96, começava a dar problemas e era pouco seguro, trabalha mais um bocado, dá explicações, faz trabalhos para outros assinarem e no fim, no fim basta olhar para a realidade e perceber que todos à sua volta nunca trabalharam nos tempos de faculdade, têm casa própria em seu nome paga pelos papás na zona mais chique da cidade, escolhem um Mercedes a um Porsche para não ficar mal, afinal estamos em crise, o que iriam as pessoas dizer, vivem numa sociedade secreta, só delas, onde fica mal ir jantar por menos de 60€ e todos os fins de semana são bons para dar uma escapadinha a um sítio tão exótico quanto possível.
E uma pessoa levanta-se todos os dias a saber que tem o mesmo emprego que eles mas nunca será como eles, certamente não é com o salário recebemos mas o que importa se com idade para ter juízo se depende ainda dos pais para tudo, o que importa é manter o nível de vida, aparentar pelo menos, e interiormente depois logo se vê.
E mesmo frustrada chego à conclusão de que sempre é melhor pensar pela minha própria cabeça e não ter de seguir as ideias e gostos da tal sociedade secreta, e no fundo fazer o que me apetece fazer, como afinal sempre fiz.
Porque as coisas são como são, já diz Pipoco.
3 comentários:
Ai Bomboca, eu não diria melhor. E conheço tanta gente de nariz empinado que nunca teve de lutar para nada. Custa, se custa!
Quem vive assim não sabe viver nem o que custa a vida, quando não tiverem pais não vão conseguir ter a vida que tem e não se vão saber desenrascar, prefiro ser das pessoas que sempre lutou para ter tudo o que tem!
Tens toda a razão. Às vezes até custa acreditar como há pessoas que nascem com o rabinho virado para a lua, que nunca tiveram de fazer nada para ter alguma coisa e como não percebem a realidade. Eu prefiro ter uma vida mais "recatada", mas pelo menos sei o que tenho é fruto do meu trabalho.
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