sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Como comprar um sofá pode ser mais difícil do que comprar um carro

Parece impossível mas é verdade. Comprar um sofá é verdadeiramente mais complicado do que comprar um carro. 
Comparemos ambas as situações. No decorrer do ano 2012, comprei um carro. Juntei dinheiro, pesquisei as características que me interessavam, visitei os stands e avancei. Se nos restringirmos à fase da compra em si mesma, demorei cerca de 15m. Pagar, assinar os documentos do carro, pegar nas chaves, verificar o carro pela última vez, e arrancar. 
Durante este mês, decidimos comprar um novo sofá. Esta ideia já vinha de há muito tempo mas só agora pudemos concretiza-la. Passada a fase da pesquisa e decisão (superior à da tomada de decisão do carro, diga-se), deslocámo-nos a uma loja Conforama e avançámos com a compra. Simples? Nada disso. Acontece que fomos na hora de almoço. As funcionárias estavam mais preocupadas em saber quem é que ia almoçar com quem, do que em nos atender. Não obstante, não desistimos da ideia da compra do sofá. Munidos de toda a documentação necessária (optámos por um pagamento faseado sem juros). Ora, a primeira funcionária que nos tinha atendido, a mais simpática de todas, fora almoçar. Passamos para outra que claramente devia estar a precisar de proteínas, dada a sua pouca vontade em cooperar. preenchemos a papelada, ela escrevia em computador o que tinha a escrever, e surge então o questionário mais estranho que alguém pode fazer a quem compra um sofá. Coisas do género: Há quanto tempo tem a sua conta aberta no banco? Há quanto tempo tem carta de condução? Há quanto tempo vive na sua casa actual? Eu lá ia respondendo incrédula. Até que me perguntam onde trabalham. Eu respondo, apesar da senhora ter já em seu poder o meu último recibo de vencimento. A senhora pergunta que raio de empresa é aquela. Eu respondo. A senhora pede-me para ver a página da empresa, que nunca ouviu falar de tal, e está desconfiada. Sem acreditar no que ouvia, lá lhe mostrei a página. A senhora torce o nariz porque aquilo está tudo em inglês e não tem jeito nenhum. Pergunta-me se não há um número de telefone em portugal. mostro-lhe a página portuguesa e arrependo-me naquele preciso momento de não lhe ter fornecido o número de telefone norte-americano.
Já passou mais meia hora. A senhora tem de ir almoçar. Até à próxima e aguardem pela nova colega. A nova (mesmo nova) colega vem e não faz ideia do que está ali a fazer. Explicámos-lhe. Vai pedir ajuda. Vem outra funcionária. Essa funcionária é chamada para ir fazer não sei o que. Vem outra colaboradora. A senhora termina o processo, agenda connosco a data de entrega e pensamos que tudo acaba ali.
Vamos embora quase 2h depois de termos lá entrado. 
Entregam o sofá e tudo fica finalmente pronto. Certo? Errado. Recebo um telefonema durante essa semana a dizer que tenho de passar novamente lá, porque uma das milhentas colaboradoras que nos atendeu se enganou a colocar o código postal no contrato, e que por isso temos de assinar novo contrato.
E é isto. Eu mereço?

1 comentário:

Jovem $0nhador@ disse...

Que raio de confusao! Tambem tenho más experiencias nessa loja.