Eu sou aquela pessoa que gosta de fazer as coisas com calma, com tempo.
Não é que seja particularmente lenta, que não sou, mas sou perfeccionista, o que faço, gosto de fazer bem e com cuidado, com tempo, sem grandes pressões.
Ora, esse gosto torna-se completamente impossível de conciliar com a realidade laboral dos dias de hoje. Efectivamente, no mundo actual do trabalho, tudo o que nos é pedido para fazer, tem de ser bem feito e estar pronto ontem, isto é, estar pronto 2 minutos após ter sido pedido. Não há tempo para a pessoa se concentrar um pouco mais, não há tempo, outras coisas esperam para ser feitas, as tarefas acumulam-se.
Agora, mais do que nunca, o trabalho que era feito por 3 passa a ser feito por 1.
Tudo isto conduz a um stress diário sem precedentes, um stress que a geração dos nossos pais e avós não conheceu, e nós estamos a senti-lo com toda a força que o excesso de oferta de trabalho provoca num mercado recessivo como o nosso.
A mentalidade do patronato passa muitas vezes por "se tu não queres/fazes, há muito quem faça". Este excesso de confiança dos patrões traduz-se muitas vezes num decréscimo de produtividade e motivação do trabalhador, que passa simplesmente a desempenhar tarefas, em vez de as sentir e tentar aperfeiçoar. E quem perde também são as empresas, que não percebem o excesso de rotatividade de pessoal, onde se torna difícil implementar políticas e criar um sentimento de pertença e identidade, de que inexoravelmente precisam. E não se criam rotinas destas do dia para a noite.
E o trabalhador vai para casa, muitas vezes tarde e a más horas, não tendo tempo para si e para os outros, para os seus hobbies e para simplesmente abrandar do que foi o rebuliço do dia. E assim se passam os dias, semanas, anos. Com férias pelo meio, cada vez mais curtas devido aos cortes que se avizinham.
O texto não representa necessariamente tudo o que vivencio, mas também o que me é passado por familiares e amigos, que denotam um aumento significativo do stress a que estão sujeitos.
Uma das coisas que me faz confusão, é muitas vezes não conseguir "desligar" ao chegar a casa, continuando acelerada.
Às vezes penso que gostaria de ter um emprego daqueles simples, onde não existe grande margem de progressão associada, mas também não existem grandes chatices, horas após horário de trabalho... Mas suponho que depois certas coisas não teriam tanta piada, não é?
6 comentários:
Eu também pensava como tu, mas hoje sei que prefiro trabalhar numa roda viva, sem parar, a sentir-me acomodada. :)
A vida laboral está cada vez mais tensa em todos os sentidos, desde a falta de emprego de muitos e o muito trabalho de outros mal pago! O stress é uma constante da nossa vida e cada vez há mais depressões e falta de vontade de viver! Mas talvez um dia isto mude e as pessoas tenham direito a uma vida melhor, sonhar não custa ;)
Sou como tu.
No meu caso, na área de RP, andamos sempre a correr com projectos para aqui, clientes para acolá. Não gosto, falta-me a calma. E não levar trabalho para casa é praticamente impossível, a cabeça anda sempre a mil.
Gostei, particularmente, deste teu post. Traduz bem a realidade actual no mercado de trabalho. Patrões que não sabem gerir os funcionários, que não nos permitem trabalhar com qualidade e fazer um serviço de excelência. Esta mentalidade tacanha irá levar-nos à ruina. :(
Não, acho que não ias gostar nada!
Obrigada pelos vossos comentários :)
Eu sinceramente acho é que para se constituir família e para progredirmos neste ritmo e com algumas mentalidades é difícil...
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