Com uma taxa de 15% de desemprego, os trabalhadores com emprego a trabalhar cada vez mais horas (atente-se nesta notícia), este país, não é, definitivamente, para pais.
Pais que queiram estar presentes na vida dos seus filhos, ou casais que pensam em ser pais, vêem a sua vida complicar-se, não existindo previsões de melhorias a curto prazo. Nas empresas, quem não trabalha como um cão não é promovido. E, mesmo que para os que trabalham muito e bem, a ascensão na carreira não é garantida. Outros, trabalham como camelos para pura e simplesmente não perderem o emprego. Trabalha-se mais e mais horas. Existe menos tempo livre para o lazer.
As pessoas sentem-se sufocadas nos seus trabalhos que exigem couro e cabelo, que obrigam a horas intermináveis, onde sair às 18h parece quase um crime, de tão cedo que é.
O trânsito, esse, deixou de ter a sua hora de ponta às 18h, para passar a ter às 19h, às 20h, e já me fartei de apanhar trânsito às 21h. Por mais vontade que as pessoas tenham em ser pais ou ter mais filhos, os salários estão estagnados, e ter um filho, para lhe proporcionar tudo o que merece, não é barato.
Os produtos encarecem enquanto o custo do trabalho diminui. Depois vêm uns economistas da treta, do regime do FMI, dizer que Portugal tem de baixar salários para ser competitivo.
E eu digo a esses economistas da treta, para se mudarem para Portugal, e fazerem o exercício de sustentarem uma família com 485€ mensais. E vão ver se conseguem.
Familiares meus, amigos, manifestam a vontade em ter mais filhos, mas rapidamente desistem da ideia quando se recordam dos 2 salários a menos com que ficaram, individualmente, após os cortes nos subsídios de Natal e férias na função pública. A taxa de idosos em Portugal nunca foi tão alta, e há cada vez mais pessoas a depender da segurança social, e cada vez menos a efectuar descontos.
Por tudo isto, pergunto, para onde caminhamos?
Se este país não é para velhos, não é para novos, nem é para pais, então é para quem?
Está-se mesmo a ver que só sobra a classe política.
2 comentários:
Este pais está para pais: para os teus, os meus, os dos nossos amigos. Não está é para que os nossos pais sejam avós. Eu e o meu pai partilhamos a crise com alguma alegria debaixo do mesmo teto, a uma altura em que eu ja me havia ter posto a voar há muito, muito tempo.
Compreendo o teu ponto de vista, estava sobretudo a falar para quem quer ser pai agora, ou ainda é relativamente jovem e estabilizar a vida, que infelizmente é cada vez mais difícil.
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