Não, este não é mais um post sobre os Jogos Olímpicos. Se bem que fiquei bastante triste por o Federer não ter ganho a medalha de ouro nos singulares de Ténis. Adiante.
Sabemos que a vida dos pequeninos começa a ganhar forma quando os inscrevemos em actividades extra curriculares. Eu acredito que, sem cair no exagero, estas actividades fazem bem às crianças.
Eu nunca frequentei nenhuma. Não por falta de vontade, mas por falta de possibilidades financeiras.
Custava-me estar no ATL, e as educadores dizerem "Meninos do Judo, vão preparar-se para irem para a aula! Meninos da Natação, vão equipar-se! Meninas do Ballet, vão vestir-se!". E os meninos e meninas iam. Eu não. Eu ficava para trás, com mais dois ou três meninos que também não tinham actividades para onde ir. Os deveres de casa já estavam feitos, restava esperar pacientemente pela hora de saída. E as horas passavam muito devagar.
Sempre me imaginei a ir com os meninos do Judo ou do Karaté, nunca com as meninas do Ballet. Nessas coisas sempre fui muito maria-rapaz. A minha mente ia com eles mas o meu corpo ficava.
Cheguei a andar na natação, anos depois. E adorava. Era um autêntico peixe. Anfíbio, vá. Isso foi muitos anos depois.
Mas no ATL, eu ficava nos sofás a jogar jogos, ou fazer desenhos, ou qualquer outra coisa sem o mesmo potencial de interesse. Tive pena sim.
É claro que eu sabia porque é que os outros meninos iam para as actividades e eu não. Sempre soube. Desde muito cedo. Mas hoje percebo as coisas com outra clareza. Não existe a parentalidade perfeita, mas existe o fazer o melhor possível. E agora, que o assunto se torna mais recorrente para mim, percebo que para se ter filhos não é preciso só a vontade. Nem apenas o dinheiro. É sim uma mistura indecifrável entre alguma estabilidade financeira, emocional, força de vontade, paciência e afecto. No meu caso, esses requisitos não se encontravam totalmente preenchidos.
Na minha vez de ter filhos, vou dar o máximo para que estejam. Quero com isto dizer que sem total estabilidade financeira não poderei/deverei ter filhos? Nada disso, mas o resto tem de estar lá. A instabilidade financeira individual poderá talvez ser colmatada com uma família coesa, atenta e carinhosa (apesar de achar que o inverso já não se aplica).
O que sei, é que vou querer que os meus filhos andem nas actividades que quiserem, na pintura, na música, tanto me faz. Mas gostava de lhes conseguir proporcionar isso.
Conheço várias pessoas que pensam como eu. Pessoas que, tendo tido uma infância pobre, revelam que tencionam "estragar" os filhos dando-lhes tudo o que elas não tiveram direito. Com contenção, claro. E eu concordo.
Actualmente, não sou rica, infelizmente estou bem longe disso. Contudo, não me poderei considerar pobre. Mas eu cresci "à lei da bala", como às vezes se costuma dizer.
Não quero o mesmo para os meus.
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