Incrível como as coisas mudam ao viajarmos uns quilómetros para o interior... A paisagem de prédios, auto estradas, zonas movimentadas, dão lugar a imagens bucólicas onde o verde ainda abunda. As casas, invariavelmente megalómanas, fazem parte do panorama. Pequenas localidades onde há mais vinhas do que pessoas, são regra e não excepção.
Efectivamente, não há muito para fazer... Há um café por localidade, onde as pessoas se juntam conversando, jogando cartas e bebendo tarde fora. No início, sentimos falta do barulho dos carros, da movimentação citadina. Depois, habituámo-nos à ausência de buliço, à calmaria do campo. Habituámo-nos... ponto e vírgula! Por uma tarde, por umas horas. Porque por mais que goste da tranquilidade campestre, tenho para mim que, Bomboca nascida e criada em grande cidade, ao terceiro dia de vida no campo cortaria os pulsos. Não exagero quando digo que não há lá nada para fazer. Não há internet por cabo ou fibra. Não há qualquer centro de actividade cultural. As casas são dispersas. É uma vida de tranquilidade e sem grandes pressas. Lugares assim são bons para passar umas férias, descansar.
Porque de cada vez que vou para o interior, vejo-o mais desertificado.
Creio que continuámos a ser um país demasiadamente desigual, onde a dicotomia entre litoral e interior cresce, em vez de diminuir. Portugal precisa de crescer, a sua economia está debilitada.
E tem de crescer para o interior. Não penso que seja a fechar hospitais e tribunais, em virtude de uma definição simplista de custo- benefício, que o irá conseguir.
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