Tiraste mesmo o curso de Economia, ou foi a tua irmã gémea que foi fazer os exames por ti, ora diz lá?
Engataste o professor? Não me mintas Marianinha!
Não estou aqui para te julgar, estou aqui para te ajudar. Há muita gente que te critica, ou mesmo insulta. Esse não é o meu propósito. Eu não acredito que devamos insultar alguém por não saber resolver equações diferenciais, por exemplo. Se a pessoa não sabe, também não é correcto insultar essa pessoa. O nosso dever é explicar-lhe as coisas, ou, no mínimo, fazer-lhe ver as suas carências de ordem intelectual. Nunca menosprezar. É feio.
Posto isto Marianinha, serve o presente post para te ajudar a ver a luz. Já percebemos que ciência económica não é o teu forte. Discursos motivacionais também não, mas não serão esses o objecto da minha explicação.
Ora, tu dizes que não podemos ter vergonha de ir tirar dinheiro aos ricos. Em primeiro lugar, posso dizer-te que o Vale e Azevedo também não tinha vergonha nenhuma de o fazer, inclusivamente a clubes que já na altura não eram ricos, e acabou por ir parar à prisão. Até o tio Ricardo Salgado, está com uma pulseirinha... Entendes o que quero dizer? Sim, é crime. Roubo.
Mas tu queres fazê-lo pela via institucional, queres por o roubo na lei, não é? Percebo. Nesse aspecto foste mais inteligente do que aqueles dois.
Sendo assim, a explicação necessita de ter outro foco. Primeiro, tenho de te explicar o conceito de poupança: poupança é o remanescente monetário com que um indivíduo fica, após as deduções de impostos e consumo, ao seu rendimento. Temos ainda que o consumo já é tributado, ou seja, o indivíduo recebe um salário, ao qual deve retirar os respectivos impostos, sendo que tudo o que consumir com esse salário, também terá incidência de imposto (salvo as raras excepções das isenções de IVA previstas no código). Ora, a poupança, dizia eu, é o que sobra. Portanto, a parte do rendimento do indivíduo que também já foi tributada.
Percebes agora quando eu digo que o imposto que tu e os teus camaradas querem criar, é um imposto de dupla tributação?
Adiante.
Tu também dizes que vocês querem reduzir as desigualdades em Portugal. O problema, Marianinha, é que tu e os teus compinchas, querem nivelar tudo por baixo. Se não podem ser todos ricos, então serão todos pobres. Mais ou menos isto, não é?
Acontece Marianinha, que não há bem estar social (que é medido pelo teu desconhecido IDH- Índice de Desenvolvimento Humano), sem crescimento económico. Eu bem sei que a palavra crescimento te assusta se não estiver ligada com impostos, eu compreendo, são conceitos muito assustadores, mas imagina tu que até há uma cadeira na faculdade, que se chama precisamente crescimento económico. É de revirar o estômago.
Dizia-te eu, que sem crescimento económico, não existe rendimento para se redistribuir. A melhor maneira de se acabar com os pobres e com a desigualdade, é através do crescimento sustentado de uma economia, libertando-a das suas atrofias. Livrando-a do assustador mecanismo estatal. Libertando as suas amarras.
Como é que se consegue crescimento económico, perguntas tu? Lembras-te do conceito de poupança que te expliquei há pouco? Pois é... A poupança é um dos mecanismos do crescimento, pois sem ela (individual ou estatal), não existe investimento (privado ou público), e portanto, não é possível investir no que se acredita que é o grande motor do crescimento das economias, que é o capital humano.
Adicionalmente, temos a questão do excesso de tributação numa economia. Sabes, Marianinha, em todas as economias existe um tecto máximo de tributação que as mesmas estão disponíveis para acomodar, e, segundo estudos da OCDE, a economia portuguesa é uma das que mais tributação tem.
Portanto, é convicção de muitos analistas, que já ultrapassámos esse tecto, e o que acontece com a introdução de mais tributação, é que a economia passa a ser ainda menos eficiente, e a tributação não dará origem a mais receita. Ainda não te passou pela cabeça que os mais ricos conseguirão fugir a este imposto? Não percebes que grande parte dos riquíssimos, a cujo dinheiro queres deitar a mão, estão protegidos de sangue sugas como tu e o teu pai? Quem sobra? Nós, os que não podem fugir. Aqueles que tu achas que são ricos mas na verdade não são. A classe média que queres ajudar a exterminar.
Além disso Marianinha, se deres os sinais errados para os mercados, para as pessoas e para as empresas, sabes o que vai acontecer aos investimentos? Pois é, vão diminuir. Já estão a diminuir. As nossas exportações já não estão a crescer ao mesmo ritmo...
Eu penso que já te dei uma ajudinha para começar a perceber o que é isto de economia, crescimento, etc. Posso continuar a ajudar-te, mas aí as aulas já serão pagas, que eu não cresci numa herdade no Alentejo. Vai pela sombra Marianinha. Não tens de agradecer, sempre às ordens.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Um pouco de Economia- Teoria das Vantagens Comparativas de David Ricardo e o dia a dia numa micro empresa
A Economia revê-se em todos os aspectos das nossas vidas. Aliás, há uma frase em latim bem popular entre os economistas que diz qualquer coisa como "onde há o Homem, há Economia". Verdade.
David Ricardo foi um famoso economista inglês do século XIX que aperfeiçoou a Teoria das Vantagens Absolutas de Adam Smith. Este último afirmava que, em comércio internacional, os países se devem especializar nos produtos que conseguem produzir a um custo mais baixo. David Ricardo melhorou a teoria, e afirma que ainda que um país produza produtos a um preço mais baixo que os outros países, deverá concentrar-se na produção do produto em que é mais eficiente, vendendo os seus excedentes aos outros países, em virtude de um conceito chamado custo de oportunidade. Isto, de forma muito simplificada.
E o que é o custo de oportunidade, perguntam vocês e bem? De forma igualmente simplificada, o custo de oportunidade é o custo associado a uma actividade que optamos por não realizar em detrimento de outra. Este conceito é particularmente importante para as decisões que tomamos no dia a dia (e por isso se interliga com a teoria de David Ricardo, de forma a clarificar o meu ponto de vista). Exemplo: O custo de ir ao cinema em vez de trabalhar será o custo do meu salário/ hora multiplicado pelo tempo de que necessito para ir ao cinema.
Como podemos facilmente extrapolar, os indivíduos, como os países, devem especializar-se nas tarefas em que são mais eficientes. Ou seja, naquelas em que têm vantagem comparativa. Exemplo: o meu custo de estar 2 horas a passar camisas em horário laboral, é precisamente o meu salário/hora X 2. Se o meu custo para passar camisas for, suponhamos, de 40€, e o de outra pessoa for de 15€, deverei contratar a outra pessoa. Ou seja, 15€ é o valor que a outra pessoa atribui à tarefa que não irá realizar para poder passar as camisas.
Estão a seguir até aqui? Obrigada por terem lido tudo até ao momento.
Então o que se passa é o seguinte: eu trabalho numa micro-empresa. Não existem muitos recursos disponíveis, e acabo por ter de realizar tarefas que vão bem além da minha especialização. No entanto, para algumas tarefas esse custo é baixo. Noutras, nem tanto.
Os principais problemas dos patrões portugueses são precisamente os principais problemas do meu: não fazer planeamento, vivendo apenas o dia-a-dia, e não utilizar os seus recursos da forma mais eficiente possível (que no fundo acaba sempre por colidir com o problema do planeamento, e por isso, acredito eu, é que ele me contratou a mim). O meu patrão decidiu que eu ontem deveria despender a minha tarde a passar roupa, em virtude de uma sessão fotográfica a ser realizada hoje. Ele sabia da sessão fotográfica há muito tempo, e por isso contratou fotógrafo e espaço. Mas não achou que deveria contratar alguém para realizar essa tarefa, porque assumiu automaticamente que seria eu a realiza-la (claro que eu não sabia, senão eu própria teria contratado alguém). Eu tenho isenção de horário de trabalho, e portanto ontem, saí às 21h porque estive 6h a passar roupa. Acontece que o meu patrão vê esta situação como uma poupança de, por exemplo, 20€. Quando na verdade, acabou por ter prejuízo. Na verdade é que o meu patrão designou uma pessoa para essa função (eu), cujo custo hora é superior a outra pessoa cuja especialização seja precisamente essa (a de passar a ferro). Adicionando também a vantagem absoluta que a outra pessoa especializada teria sobre mim, que certamente demoraria menos tempo que eu a realizar a tarefa proposta. Assim, em vez de uma poupança de 20€ (por exemplo), temos que o que verdadeiramente aconteceu foi que eu despendi 6 horas de trabalho a um custo muito superior do que outra pessoa que provavelmente teria despendido 4 horas a 20€ (a título de exemplo de um ganho de 5€/hora).
Adicionemos ainda o factor psicológico de o trabalhador (eu) estar a realizar uma tarefa para o qual não está especializado, em detrimento da tarefa para a qual tem efectivamente especialização. O trabalhador sente-se desmoralizado e desvalorizado. E pensa que saiu às 21h para nada, tendo ficado o seu trabalho (esse sim, da sua competência) atrasado.
É mais ou menos como comprar um mini tendo em vista a função de transporte de mercadorias. Ninguém faz isso pois não? Então porque motivo alguém contrata uma economista, e lhe pede para que volta e meia passe a ferro?
David Ricardo foi um famoso economista inglês do século XIX que aperfeiçoou a Teoria das Vantagens Absolutas de Adam Smith. Este último afirmava que, em comércio internacional, os países se devem especializar nos produtos que conseguem produzir a um custo mais baixo. David Ricardo melhorou a teoria, e afirma que ainda que um país produza produtos a um preço mais baixo que os outros países, deverá concentrar-se na produção do produto em que é mais eficiente, vendendo os seus excedentes aos outros países, em virtude de um conceito chamado custo de oportunidade. Isto, de forma muito simplificada.
E o que é o custo de oportunidade, perguntam vocês e bem? De forma igualmente simplificada, o custo de oportunidade é o custo associado a uma actividade que optamos por não realizar em detrimento de outra. Este conceito é particularmente importante para as decisões que tomamos no dia a dia (e por isso se interliga com a teoria de David Ricardo, de forma a clarificar o meu ponto de vista). Exemplo: O custo de ir ao cinema em vez de trabalhar será o custo do meu salário/ hora multiplicado pelo tempo de que necessito para ir ao cinema.
Como podemos facilmente extrapolar, os indivíduos, como os países, devem especializar-se nas tarefas em que são mais eficientes. Ou seja, naquelas em que têm vantagem comparativa. Exemplo: o meu custo de estar 2 horas a passar camisas em horário laboral, é precisamente o meu salário/hora X 2. Se o meu custo para passar camisas for, suponhamos, de 40€, e o de outra pessoa for de 15€, deverei contratar a outra pessoa. Ou seja, 15€ é o valor que a outra pessoa atribui à tarefa que não irá realizar para poder passar as camisas.
Estão a seguir até aqui? Obrigada por terem lido tudo até ao momento.
Então o que se passa é o seguinte: eu trabalho numa micro-empresa. Não existem muitos recursos disponíveis, e acabo por ter de realizar tarefas que vão bem além da minha especialização. No entanto, para algumas tarefas esse custo é baixo. Noutras, nem tanto.
Os principais problemas dos patrões portugueses são precisamente os principais problemas do meu: não fazer planeamento, vivendo apenas o dia-a-dia, e não utilizar os seus recursos da forma mais eficiente possível (que no fundo acaba sempre por colidir com o problema do planeamento, e por isso, acredito eu, é que ele me contratou a mim). O meu patrão decidiu que eu ontem deveria despender a minha tarde a passar roupa, em virtude de uma sessão fotográfica a ser realizada hoje. Ele sabia da sessão fotográfica há muito tempo, e por isso contratou fotógrafo e espaço. Mas não achou que deveria contratar alguém para realizar essa tarefa, porque assumiu automaticamente que seria eu a realiza-la (claro que eu não sabia, senão eu própria teria contratado alguém). Eu tenho isenção de horário de trabalho, e portanto ontem, saí às 21h porque estive 6h a passar roupa. Acontece que o meu patrão vê esta situação como uma poupança de, por exemplo, 20€. Quando na verdade, acabou por ter prejuízo. Na verdade é que o meu patrão designou uma pessoa para essa função (eu), cujo custo hora é superior a outra pessoa cuja especialização seja precisamente essa (a de passar a ferro). Adicionando também a vantagem absoluta que a outra pessoa especializada teria sobre mim, que certamente demoraria menos tempo que eu a realizar a tarefa proposta. Assim, em vez de uma poupança de 20€ (por exemplo), temos que o que verdadeiramente aconteceu foi que eu despendi 6 horas de trabalho a um custo muito superior do que outra pessoa que provavelmente teria despendido 4 horas a 20€ (a título de exemplo de um ganho de 5€/hora).
Adicionemos ainda o factor psicológico de o trabalhador (eu) estar a realizar uma tarefa para o qual não está especializado, em detrimento da tarefa para a qual tem efectivamente especialização. O trabalhador sente-se desmoralizado e desvalorizado. E pensa que saiu às 21h para nada, tendo ficado o seu trabalho (esse sim, da sua competência) atrasado.
É mais ou menos como comprar um mini tendo em vista a função de transporte de mercadorias. Ninguém faz isso pois não? Então porque motivo alguém contrata uma economista, e lhe pede para que volta e meia passe a ferro?
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