segunda-feira, 27 de abril de 2015

Maravilhas da gravidez #16 ou o que ninguém vos conta sobre o parto

O David nasceu de parto normal. Eu nunca fiz grandes planos sobre o parto que queria ou deixava de querer, pois sempre coloquei essa decisão nas mãos do meu médico, em quem confio em pleno. Eu sabia que ele iria optar pela melhor solução para o bebé e para mim.
Posto isto, posso dizer-vos que não sofri muito. Antes da epidural, tive contracções, dolorosas, sim, mas ainda no limite do razoável. Mas depois de me darem a epidural, foi remédio santo, O que nunca me tinham dito, mas eu cedo percebi, é que devemos pedir reforço de dose assim que começarmos a sentir umas dorzinhas ligeiras. Foi o que fiz e não sofri praticamente nada em todo o trabalho de parto. Sempre que sentia algo... Chamava a enfermeira. Porque o reforço nunca é tão forte como a primeira dose, além disso, demora algum tempo a actuar (10m, no mínimo).
Antes de ter de fazer força, levei nova dose de epidural. Claro que senti os toques que me faziam, o rebentamento da bolsa, senti a puxarem-me lá dentro... Sentir, sente-se. Assemelha-se a uma certa pressão, e não é confortável. Mas posso dizer que dores dores, nada. Mesmo na hora do bebé sair, o que sentia era puxões, nada que não conseguisse aguentar.
Desta forma, pode dizer-se que tive um parto "santo". E se já não compreendia as mulheres que não querem tomar epidural por opção, agora ainda compreendo menos. É que aquilo tudo é coisa para doer horrores. Portanto se a ciência arranjou forma de tornar a coisa menos penosa, que assim seja.
Agora, há certos pormenores que ninguém vos conta. Não é tudo lindo e maravilhoso, nem pensar. Posso dizer-vos que vão ser algaliadas e isso não é agradável. Pois. Eu também pensei que nos deixassem ir à casa de banho. Não. É mesmo pelo tubinho. Vão ter vontade de fazer número 2. E vão fazê-lo. Onde? Numa aparadeira. E como não se conseguem mexer direito, uma enfermeira/auxiliar vai ajudar-vos a limpar. Eu sei. Eu também pensava que o limiar máximo da minha dignidade era ter várias pessoas a porem-me as mãos aqui em baixo. Mas não. Há sempre mais por onde podemos descer.
Confesso que a parte de não poder ir à casa de banho, para mim foi um choque.
Mas adiante.
Ora, depois de me coserem e de eu já ter o bebé ao pé de mim, siga de ir para o internamento de obstetrícia. Ainda meio drogada, sinto que começo a ter algumas dores. Peço que me dêem algo para as dores. Dizem que sim, já vão tratar do assunto. Em pouco tempo apresentam-me benuron. E eu penso "como???". Peço se não posso tomar algo mais forte. Dizem que vão ver se posso tomar brufen. Eu começo a ver a minha vida a andar para trás, e as dores a aumentarem de intensidade a um ritmo bem forte.
Começo a desesperar quando me dizem que é mesmo assim. Não posso tomar nada mais forte, vou ter de me contentar com aquilo. 
Pois bem, fala-se muito nas dores do parto, mas se as pessoas forem devidamente sedadas (se assim o quiserem, claro), as dores que se passam são relativamente suportáveis. Agora, o pós parto... Para mim está a ser muito complicado. Naquele primeiro dia, quando o efeito da epidural passou, pensava que morria. Tenho tido muitas dores na zona dos pontos, e ninguém nunca me disse que doía assim. Outra coisa que me faz um bocadinho de confusão é a quantidade de sangue que se perde. Tenho perdido sangue de forma assustadora. 
E pronto, algumas destas questões foram completa novidade para mim. Não fazia ideia que se sofria tanto no pós parto, nem que durante o trabalho de parto, a utilização do wc estava vedada.
A parte boa é que cada dia parece que dói menos um bocadinho.
Estou é ansiosa por perceber quando é que me vou conseguir sentar...

Update

O David nasceu a dia 22 de Abril.
Correu tudo bem, é saudável e tem estado bem. Não chora muito, pelo menos para já. É só e apenas a coisinha mais linda, perfeitinha e mágica que já vi até hoje. E não, nada nos prepara para a sensação de amor, de arrebatamento, de incredulidade que se sente.
Fico com vontade de chorar ao olhar para o meu filho. Não sei se é baby blues ou não, eu sempre fui meia lamechas, por isso, com as hormonas, basta multiplicar.
Sei que o vou amar para sempre, até ao fim dos meus dias.

Overwhelmed

Palavra que define os últimos dias.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Das várias coisas que não entendo- Comissão de Protecção de Crianças e Jovens?

Todos temos conhecimento da notícia horrível, que dá conta do padastro que matou a enteada à porrada, e feriu também o irmão da menina.
Para além de, claro, não perceber como é que alguém mata uma criança à porrada, não consigo perceber como é que uma comissão de protecção de menores, está 7 meses sem agir, sendo que esta família já estava mais do que referenciada. As crianças faltavam frequentemente à escola e a consultas médicas. Apesar da mãe ("mãe"...) trabalhar, a família vivia de ajudas do Banco Alimentar. E eu pergunto, como é possível, neste país dito de primeiro mundo, que uma comissão de PROTECÇÃO de crianças, esteja 7 meses sem agir, perante vários relatos de abusos, maus tratos, e negligência. Deixaram a situação andar durante 7 meses, a ver se acontecia o quê? Claro, este desfecho! Ou estavam sinceramente à espera que a situação destas crianças fosse melhorar?
Neste país ainda existe muito pudor em retirar crianças à sua família de sangue, independentemente do melhor interesse das crianças.
Neste país, os mecanismos da adopção não funcionam. As crianças ficam anos entre as instituições e as famílias biológicas sem condições, e rapidamente passam os anos, sem que estes menores tenham o acompanhamento e família que precisam e merecem.
Assusta-me que vivamos num país onde a miséria grassa, sobretudo a miséria de mentalidades, e não existam mecanismos estatais para colmatar estas falhas.
Não sei o que vai acontecer a esta criança que sobreviveu, e a todas as outras crianças que estão em situações semelhantes, que são ignoradas pela família biológica e pelo Estado, ou seja, precisamente por aqueles que as deveriam proteger.
O que sei é que, como digo sempre, esta gente de merda não tem problemas de fertilidade.

Maravilhas da Gravidez #15

A barriga está tão, mas tão grande, que as minhas ancas e coxas até parecem "pequenas".

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Adoro

Pessoas que falam do "lifestyle", e têm blogs sobre "lifestyle".
Adoro.

Mas assim de repente, o que é isso?

Medos

- Medo de que algo no parto corra mal;
- Medo de que o meu bebé nasça com algum problema de saúde;
- Medo de sofrer horrores no parto;
- Medo de sofrer horrores no pós parto;
- Medo de que o puto seja daqueles bebés que não dorme, nem come, só chora;
- Medo de não conseguir ou de demorar imenso a retomar a vida sexual;
- Medo de que nos passemos a dar mal enquanto casal;
- Medo de nunca mais conseguir voltar ao peso e à figura pré gravidez (está muito certo que é necessária força de vontade, mas a genética também tem uma palavra importante a dizer...);
- Medo de me desleixar enquanto mulher (não acredito, mas...);
- Medo, medo...

Enfim. Vários medos. É isto que ocupa a cabeça desta quase quase mãe.

Maravilhas da Gravidez #14

E as pontadas aqui no fundinho da barriga, que uma pessoa até anda de lado, hein?
Bom, muito bom...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Desesperada

Não consigo dormir de noite. Isso é ponto assente. Durmo apenas umas horitas, bem longe do que eu gostaria.
De dia, queria descasar mas não consigo. Porquê? Porque o meu vizinho de cima anda há 2 meses, sim, 2 meses, com obras em casa. Todos os dias, de manhã até ao final da tarde, é uma barulheira ininterrupta de máquinas a furar, martelos, enfim, todo um conjunto de barulhos agradáveis.
Eu estou à beira do desespero.
Seja em que divisão da casa for, ouve-se perfeitamente a barulheira das obras. Não sei o que fazer. Preciso de descansar, de repousar e é isto. Pior, o meu puto nasce a qualquer momento, e isto vai continuar, porque se não terminou até agora, sei lá eu quando irá terminar.
Eu sei que é permitido fazer-se barulho de x a x horas. Tudo muito certo. Mas barulho de obras não é propriamente o mesmo que o barulho "normal" de uma casa. E isto já dura vai fazer 2 meses.
Sabem se existe algum limite temporal para a duração de obras numa casa?
É que estou exausta, sinceramente.
E estou a ver isto a continuar quando o meu filho nascer, e ele sem dormir de dia por causa do barulho...
Que desespero!

terça-feira, 14 de abril de 2015

A minha gaveta favorita



O que se faz com um bocadinho de tempo e paciência.
Sim, adoro maquilhagem. Nota-se, não é?

Porra.

Soube que um casal nosso amigo, de quem gostamos muito, e que estavam juntos há cerca de 9 anos, se vai separar.
Têm tudo a ver um com o outro e sempre foram felizes. Até agora.
E dada a situação que ocorreu, não tem volta possível.
Às vezes as pessoas fazem coisas completamente contra a sua natureza, fruto de um lapso momentâneo, sendo que depois as consequências são terríveis.
Esse casal nosso amigo foi ao nosso casamento, e da mesa em que estiveram, toda constituída por casais, eram os que ainda estavam juntos, pois todos os outros já se separaram, e eram aqueles relativamente aos quais sempre achamos que nunca se iriam separar.
Ainda estou em choque.
Porra.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O inacreditável acontece na Segurança Social

Hoje fui à Segurança Social. É sempre um bom sítio para passarmos um tempo, se não tivermos com que nos entreter. Valha ao menos o atendimento prioritário.
A minha visita tinha como objectivos alterar a minha morada, e saber se a minha baixa de risco já tinha sido diferida. Não é possível alterar a morada, dizem-me. Apesar de já a ter alterado no registo civil, dizem-me que tenho de esperar que eles comuniquem a mesma à SS. Pergunto quanto tempo demora. Não sabem. Ninguém sabe. Bom, assunto seguinte.
Pergunto se a minha baixa já foi processada. Dizem-me que sim, para não me preocupar porque vou receber no dia 23. Tranquila, começo a levantar-me até que a funcionária da SS me diz "vai receber para o banco X". E eu fico estarrecida porque não tenho conta no banco X há pelo menos 5 anos. E explico que quando entreguei os papéis para a baixa, entreguei também um pedido de alteração de NIB, precisamente porque não sabia se o meu NIB estava ou não actualizado. A senhora diz-me que não sabem de pedido de alteração de NIB nenhum. Ninguém viu, ninguém alterou, ninguém nada.
Os valores que tenho a receber foram processados para o meu NIB antigo e agora não há maneira nenhuma de parar o processo. Altero-me. Enervo-me. Pergunto quando me devolvem o dinheiro. Dizem-me que não sabem. Que o dinheiro agora foi processado para o banco X, que eles não podem interromper o processamento, e só quando o banco devolver esse dinheiro à SS, é que eles podem voltar a processar para me pagarem. Dizem que todo este processo não demora menos de 1,5/2 meses. Até lá? Bem, até lá não recebo nada. Azarito. Enervo-me ainda mais. Digo que isto não pode ser, que é impensável. Chamam a chefe de repartição. A senhora repete tudo outra vez, frisando que não há nada que eles possam fazer. O mal está feito, ninguém alterou o NIB a tempo.
Dizem-me ainda que quando nascer a criança, tem de se ir lá pedir o subsídio de parentalidade. Que este processo pode demorar entre 2 a 4 semanas para ser analisado. Portanto, é bem possível que passem mais 1 ou 2 processamentos em que o valor do subsídio não vá para pagamento.
Não sabem quando vou receber o que quer que seja.
Ninguém pode resolver nada.
Enervo-me mais um bocado e isto é uma merda porque não me posso enervar.
Dizem-me, na SS, que esta situação já aconteceu com mais não sei quantas grávidas. Enervo-me ainda mais porque não percebo como situações destas continuam a acontecer e ninguém faz nada para as resolver, ninguém quer saber. As coisas passam-se e ninguém assume responsabilidade de nada, o processamento não pode ser parado. A grande máquina Estatal é cega e não corrige erros.
Vou ao banco. Dizem-me que não se pode reabrir uma conta que já foi fechada, ainda por cima há tantos anos. Dizem-me também que não podem fazer nada, que o sistema, ao receber aquele dinheiro, observa que a conta de destino é inválida, e automaticamente faz a devolução à SS.
Ninguém pode fazer coisa nenhuma.

Estou aqui a pensar na minha vida, a pensar como vou pagar a renda, a água, a luz e restantes despesas dos próximos 2 meses. Nunca, em 10 anos, estive um mês sem receber um salário. Não tenho mais nenhuma fonte de rendimento. Sempre descontei, nunca tive uma baixa na vida.
E agora acontece isto, e vou passar dificuldades no mês em que o meu filho vai nascer, quando eu recebo o suficiente para não ter de andar a pedir dinheiro a ninguém, quando eu recebo o suficiente para ir ao supermercado e comprar carne e peixe, quando eu recebo o suficiente para pagar as minhas contas e não ter de passar por este sufoco.
Mas este mês, o mês de nascimento do meu filho, e o próximo, vou ter de andar a racionar. Vou ter de andar à míngua. Não porque não trabalhe, não porque fiquei a dever dinheiro à SS, como o sr. Primeiro Ministro. Não. Eu vou passar dificuldades porque um qualquer funcionário não alterou o meu NIB.
E é isto. E brinca-se assim com a vida das pessoas, como se elas fossem de papel.
Nunca pensei passar por isto. Não com um emprego estável e rendimentos certos. Não agora.
Não estivesse eu grávida e acho que tinha partido tudo em meu redor.

Eu não digo que neste país, só quem é muito pobre é que tem incentivos a ter filhos?

O Governo pondera comparticipar a vacina Prevenar (fora do plano nacional de vacinação), a famílias carenciadas.
Tudo muito certo. E as outras famílias? As outras, como eu, que ainda não decidiram se têm dinheiro para pagar a porra da vacina (mas que eventualmente já sei que vamos ter de arranjar dinheiro para a pagar), e que têm de andar a esticar o orçamento até mais não para pagar a dita?
Há 3 coisas que são essenciais num Estado Social: educação, saúde e justiça. E o Estado, se se quer social, tem de conseguir garantir igualdade para todos os cidadãos nestas esferas.
Agora, eu, e outras famílias ditas de classe média, poderão não conseguir pagar a vacina.
Ou a vacina é grátis para todos, ou não é para ninguém, porque para ser grátis para algumas pessoas, entende-se que a mesma assume elevada importância médica. Se assim é, então necessita de ser grátis para todos, não só para alguns.

Maravilhas da gravidez #13

Não consigo dormir.
Nunca pensei dizer ou escrever isto, mas é verdade.
Eu, que sempre fui aquela pessoa que adormece facilmente, a qualquer hora e em qualquer lugar. Eu, que adormeço frequentemente em transportes, em salas de espera, em repartições de finanças, que já adormeci numa discoteca (não, não estava sob o efeito de álcool ou drogas), enfim, que já adormeci em praticamente todo o lugar, não consigo dormir. É desesperante.
Ora me levanto 20 vezes para ir à casa de banho, ora não consigo arranjar posição, ora a azia, ora isto, ora aquilo.
Nunca, meus amigos, nunca pensei chegar o dia em que eu não conseguisse dormir. E o pior? O pior é que tenho na mesma sono.
Socorro.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Na blogosfera, como no mundo

Há pessoas que não percebem a diferença entre discriminação tácita e ilegalidade.
Perguntar a alguém, numa entrevista de emprego, se deseja ter filhos num futuro próximo é ilegal. Ponto.
Agora, discriminação? O que é que se entende por discriminação? Eu entrei na minha empresa actual, em prejuízo de outras pessoas, porque a minha empresa só contrata pessoas oriundas de faculdades de topo. Isso é discriminação? Ou é um requisito pré estabelecido, de que todos os intervenientes no mercado têm conhecimento à partida?
Entretanto, para além de me chocar o total desconhecimento da lei, bem como a ligeireza com que se fala de uma coisa destas, chocam-me os comentários, quer do blogger em questão, quer dos que por lá comentam, inclusivamente mulheres, afirmando que o "feminismo está na moda", que entre um homem solteiro ou uma mulher com filhos, preferem contratar o homem solteiro, entre outras barbaridades que tais.
E novamente os micro machismos, a estupidez que abunda na cabeça das pessoas é sempre motivo para me espantar, tal como o facto de esta gente ainda ter público.
Quando é que esta gente vai acordar para a realidade, e perceber que sem famílias, não existe nenhuma sociedade sustentável? Empresariozinhos da merda, que não contratam mulheres em idade fértil, que preferem estagnar a economia, que não entendem que a médio prazo não existirá quem lhes pague as reformas, porque andaram muito ocupados a despedir mulheres grávidas, ou a intimidar as funcionárias, para que estas não tivessem filhos.
Cambada de gente ignorante que não sabe somar 2 mais 2.

Juro-vos que subo paredes com estas merdas. Tocam-me especialmente porque felizmente estou a ter uma experiência oposta à que agora é regra em Portugal. Depois esta gente vem explicar-se com a crise, mas a crise não pode ser o bode expiatório de tudo. A crise é de valores e de mentalidades. Por outro lado, se então existe excesso de oferta de mão-de-obra, como é o caso, não será portanto complicado conseguir encontrar uma pessoa para substituir a grávida que vai de licença. Mas não dá jeito ver as coisas por esse prisma.

Recordo a reacção de um empresariozinho desses de caca, com quem tive a infelicidade de conviver há pouco tempo, que a propósito da minha gravidez, me perguntou se a minha empresa me iria mandar embora. Confusa e chocada com a pergunta, disse prontamente que não. Fulaninho responde-me que tinha muita sorte, pois ele manda (e agora vou citar) "todas as prenhas para o desemprego". Que charme.
Mas o pior é que este fulano não é excepção. Como este, infelizmente, há muitos.
Cambada de gente burra.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A sorte que tenho

Quando falo no meu marido, sobretudo a colegas (porque as minhas amigas já o conhecem bem), todas me dizem que tenho imensa sorte. Eu sei que sim. Por ele ser quem é, é que ele é o meu marido.
Ora, dizia eu que todas me dizem que tenho sorte, quando refiro que ele me acompanha nas consultas, que é dedicado, e que em casa faz tanto ou mais do que eu. Se eu tenho sorte? Sim, é verdade, ele é um grande homem, é o amor da minha vida e somos felizes. Portanto sim, tenho sorte.
Agora, se tenho sorte que ele me acompanhe nas consultas? Se tenho sorte que ele faça coisas em casa? Em pleno século XXI, estas afirmações espelham o Portugal ainda muito machista que temos. Afirmações que são feitas por colegas da minha idade, com e sem namorado/ marido. Na cabeça das mulheres, um homem que tenha um papel similar ao delas, é uma questão de "sorte". Estas mulheres, minhas colegas, que trabalham bem mais do que as 8h diárias, acham que não é obrigação do marido acompanhar as consultas da mulher grávida. Acham que não é obrigação do homem participar na seca que é a lida de casa. Elas acham que um homem que faça isto, é um num milhão. E o problema é que elas têm razão! Portugal, sobretudo o Portugal profundo, ainda é um antro de machismo. Ainda é um local onde as mulheres que entrem sozinhas num café de uma aldeola, são olhadas de lado.
Eu bem vejo as pessoas, invariavelmente, a olharem para a minha mão esquerda, buscando a minha aliança de casada, que por acaso gosto sempre de usar, ao notarem a minha barriga de grávida. São estes micro machismos, como diz a Rititi, que nos condenam, que ainda estão enraizados na sociedade portuguesa. Para todos os efeitos, ainda não é "suposto" que um homem faça o mesmo que uma mulher. É verdade que as coisas estão a mudar, e ainda bem, mas há ainda um longo caminho por percorrer.
O feminismo tem muitas batalhas e eu não concordo com todas. Acho que algumas são infrutíferas. Acho que há batalhas mais importantes que necessitam de ser travadas.
Batalhas como esta, que é, por exemplo, convencer uma mulher de 20 e tal anos, licenciada e se for preciso com um mestrado, que é suposto o namorado fazer coisas em casa. Que é suposto ele ser um participante activo na vida dos filhos, desde a sua concepção.

Mas sim, eu tenho sorte. Não por o meu marido fazer todas estas coisas. Mas sim por ele ser quem é, por nos termos encontrado, e juntos termos encontrado o amor. Isso sim, é sorte.

Maravilhas da gravidez #12

Tive de ir às finanças tratar de um assunto.
Estava imensa gente.
Ao todo, demorei 10m a tratar do meu assunto.
Yeeeeessss, viva a grande barriga prioritária!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Alguém me sabe explicar porque é que isto é tão viciante?


Daqui a nada rebolo...

Oi???

A Maria João Bastos vai ser jurada do Ídolos? Oi??
A propósito de quê? Daquela cantora pimba que ela interpretava e que portanto lhe dá enorme legitimidade nisto de avaliar pessoas a cantar?
Está certo...


A verdade, verdadinha- Maravilhas da gravidez #11

Este é um post que as meninas que estão a pensar em engravidar não vão querer ler.
Portanto, o melhor é mesmo fecharem a janela do blog. Depois não digam que não vos avisei.

Deixem-me primeiro dizer que eu estou a adorar estar grávida. Há muitas coisas boas, sentimentos incríveis, a sensação de um ser humano a crescer dentro de nós não é comparável a nada que eu tenha sentido até então. Em alguns aspectos, estar grávida é sensasional.
Noutros, nem tanto.
Uma das coisas que me tem arreliado mais, sobretudo nos últimos tempos, é a questão da imagem corporal. Eu nem sequer engordei muito, engordei o esperado e planeado. Mas esta pança enorme que me faz parecer desproporcional, não é algo muito estético. Isso e as estrias, que por mais creme que eu ponha, e que ponho, sismam em aparecer. E nesse aspecto, não há nada a fazer. Os cremes ajudam, claro, mas se a pessoa tiver uma pele com tendência a estrias, não há forma de combater este flagelo.
Os pelos na barriga. A linha negra na barriga. O pescoço que inchou (e eu tenho sorte, porque até agora não inchei na cara, há muita gente que incha).
Todo este conjunto de mudanças drásticas no corpo da mulher, não são fáceis de aceitar. Para mim não estão a ser.
Adicionando a tudo isto, há outra coisa que me está a incomodar. Durante algum tempo, devido à minha gravidez de risco, não pude namorar com o meu marido. A partir desta semana tive carta branca. Mas a verdade é que não é a mesma coisa. Há mulheres que sentem mais desejo sexual nesta fase. Outras, nem tanto. E para vos ser sincera, não é fácil arranjar posição com esta barriga enorme. Ou seja, a vossa vida íntima, na maior parte dos casos (conheço casos em que se passa o oposto, atenção), não sai facilitada.
Enfim, é tudo por um bem maior...

A lógica dos velhotes

Fulano residente em aldeia X, mata uma pessoa e fere outra gravemente, ambas à facada.
Os velhotes entrevistados dizem que a culpa também é de quem o aborreceu, que não tinha nada de se meter com o homem, que ele é uma jóia de moço. Só que pronto, naquele dia... Irritou-se.
Enfim, mentalidadezinha.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sou só eu?

Que acha completamente irritante a voz da Ellie Goulding?
Já não a posso ouvir! Grrrr!

Defeito e feitio

Dou explicações há muitos anos. Já dei aulas numa escola pública (apenas um ano lectivo, com pena minha, porque gosto genuinamente da profissão), e já dei explicações a miúdos e graúdos, dos vários níveis de escolaridade, incluindo cadeiras de faculdade.
Diz quem me conhece que sou exigente. É verdade, sou sim. E muito. É defeito e feitio.
Por isso não percebo quando muitos paizinhos têm uma atitude de condescendência para com os filhos. Quando os miúdos pura e simplesmente não dão mais... Ainda vá que não vá.
Mas quando facilmente se vê que existe muita preguiça, muita falta de atenção, muita falta de trabalho... Já me faz mais confusão.
Acho que cada vez mais os pais "desculpam" o desempenho menos bom dos filhos na escola, com o facto de eles próprios não terem tempo para os acompahar. Bem sei que não somos todos iguais, e nem todos conseguem tirar 5 ou 20 a tudo. Não é disso que falo. Falo do conhecimento de causa que tenho, e repito o que ouvi muitos professores dizerem ao longo dos anos "o ensino até ao 9º ano não está feito para génios". Mesmo o ensino secundário também não. Mas aí já é mais discutível e difícil, a diferença entre um 18 e um 17, por exemplo. No entanto, não compreendo (tirando, claro, os casos de dificuldades cognitivas e outros problemas sociais de causas mais complicadas), os meninos que até ao 9º ano tiram negativas. Não faz sentido.
Noutro dia, a propósito das notas do 2º período, uma senhora minha conhecida dizia para outra, que o filho só tirou 2 negativas. "Só". E a senhora estava muito contente com o sucedido. Não, o filho não tem qualquer problema cognitivo. Tem é um problema de preguiça e de pais pouco exigentes. Quando os pais ficam contentes com o facto do filho "só" tirar 2 negativas, a imagem que passa para a criança é de que não precisa de fazer mais, de se esforçar mais. Que aquele desempenho, que é negativo, basta.
Podem dizer-me que o meu filho ainda não nasceu e não tenho legitimidade para falar. Mas já ando nisto do ensino há uns aninhos, e sei como as coisas funcionam. Quanto menos exigentes os pais forem, menos os miúdos fazem (vamos aqui excluir aqueles paizinhos psicóticos que não admitem menos de 100% em todos os testes, como era o caso da minha rica mãezinha). Quanto maior a atitude relaxada dos pais em relação à escola, mais essa atitude os miúdos vão reproduzir. E depois vão chegar a níveis mais elevados de ensino e as notas não chegam. Pois é...
Por isso defendo que a cultura de exigência deve começar desde cedo. Sem exageros, mas também sem demasiados facilitismos. Caso contrário, estamos a criar futuros adultos que não sabem lidar com uma cultura de exigência. E isso, a meu ver, é péssimo.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Fujam, mas a bom fugir- Maravilhas da gravidez #10

Grávidas, ouçam o que vos digo... Quando ouvirem a expressão "toque maldoso", fujam. Mas bem depressa, para não vos apanharem.
Estou aqui que nem posso.